Discurso do Vereador Léo Burguês
Quando começou a se aproximar da data desta solenidade, comecei a ficar, confesso, com alguma preocupação e ansiedade.
Esses dois sentimentos estavam ligados, exatamente, a este momento especial, que vivo agora, na companhia de vocês.O momento do discurso.O instante de se externar e justificar, perante a sociedade, a justeza de uma homenagem mais que merecida, mais que digna.
Então, desfilaram na minha mente, ao longo dos dias que antecederam esta noite, imagens de uma vida.
Vida feita de lutas, na qual o cotidiano tem, sempre, que ser sinônimo de superação.
Vida de guerreiro dos tempos modernos, com inspiração no passado.
Vida em que vitória e derrota são, tão somente, dois componentes do que é, mais do que uma prática, uma filosofia, uma arte.Uma arte marcial.
Grande parte das pessoas tem uma idéia bastante distorcida do que sejam as artes marciais.
O que, em parte, se justifica pela existência, no universo do desporto - como em qualquer outra parte de nossa sociedade -, de pessoas com valores tão distintos quanto aos atribuídos ao joio e ao trigo.
Quando o conceito surge a partir do conhecimento de pessoas que não têm em si incutidos os grandes valores das artes marciais, pode-se acreditar que não se trata de uma arte, de uma filosofia, de uma luta e, aí sim, pode parecer que os praticantes nada mais fazem do que brigar.
Felizmente, há aqueles que têm sólida formação e que se dedicam às artes marciais como ingrediente fundamental na formação de seres humanos melhores, mais equilibrados, justos e humanos.
Este é o caso desta pessoa tão especial, a quem rendemos, nesta noite, homenagem e para quem peço lhes uma respeitosa saudação sob a forma de uma salva de palmas.
Se no princípio de uma luta, senhor Vinicius Bittencourt Almeida Magalhães, ou melhor, Draculino, o que fazemos é, em silêncio, nos curvarmos para cumprimentar o oponente, aqui erguemos nossas cabeças para podermos reverenciar o seu exemplo. E assim o fazemos, neste plenário, porque nos orgulhamos de aqui recebê-lo em nome de todos os habitantes desta cidade.
Esta mesma cidade, que o acolheu, em outubro de 1995, quando, para cá, você resolveu se mudar. Hoje, acredito que a escolha foi mútua.Vocês se escolheram. Já vimos muitas escolhas unilaterais em Belo Horizonte. Nessas situações, a vontade de se fazer algo acaba por encontrar portas fechadas. Não foi, para nossa satisfação, o seu caso.
Nossa Belo Horizonte percebeu que o jovem que escolhera suas terras para serem o alicerce do lar de sua família, de seu empreendimento e, por fim, de sua vida, era digno de aqui progredir. A Terra natal de sua esposa, Mônica Cristina.O local ideal para que Jade e Igor pudessem receber sólida educação.
Essa nossa tão amada Capital e seus habitantes receberam e acolheram como seu filho natural este carioca da Barra da Tijuca - por perceber que se tratava de homem íntegro. Gente boa. Guerreiro e Lutador do Bem.
Draculino não nos decepcionou. Nem como pessoa, nem como empresário. Ao contrário, sempre nos surpreendeu positivamente. Fruto, tenho certeza, de sua sólida formação.
Sua vida nas artes marciais se iniciou quando foi levado por seus vizinhos e amigos Renzo, Ralph e Ryan Gracie começou a praticar Jiu-Jitsu na Academia Gracie Barra, coordenada na época (1987) por Carlos Gracie Júnior e os irmãos Machado.Em pouco tempo, começou a disputar competições ainda na categoria juvenil faixa azul. Iniciou-se, então, uma trajetória de sucesso dentro desse esporte.
Até a faixa roxa, Draculino recebeu aulas do professor Jean Jacques Machado, e esporadicamente de Carlos Gracie Júnior. Após a ida de Jean Jacques e de seus irmãos para os Estados Unidos, Carlos Gracie Júnior passou então a ser seu mestre em tempo integral, passando-lhe conhecimentos e técnicas imprescindíveis nas vitórias conseguidas nos difíceis combates travados na sua vida.
Sua experiência como professor começou dentro da própria academia Gracie Barra onde, orientado por seu mestre, começou a ensinar técnicas básicas a alunos novatos. Passou então a lecionar junto com seu amigo e colega de treino Roberto Corrêa, o "Gordo", na filial da Gracie Barra em Ipanema no Rio e no Marina Barra Clube para um grupo de aproximadamente 60 alunos.
Em 1995, no mês de Março, recebeu o diploma que mais almejava na vida, a faixa preta, e em julho, o outro, o de advogado pela UFRJ. Em outubro do mesmo ano, Draculino e Carlinhos abriram a primeira filial da Academia Gracie Barra em Minas Gerais, a Academia Gracie Barra BH.
Desde então, a Gracie Barra BH passou a ser a escola de Jiu-Jitsu em maior evidência em nosso Estado. O número de alunos só vem crescendo e a qualidade técnica dos atletas já é conhecida no meio do esporte. Em torneios e competições estaduais e regionais a academia não sabe o que é ser derrotada na contagem geral de pontos. A Gracie Barra BH está invicta desde abril de 1996.
Nas Competições de grande porte (Campeonato Brasileiro, Brasileiro de equipes, Pan-americano e Mundial) vários alunos vem se destacando. A Gracie Barra BH é uma das filiais que mais fornece atletas de ponta para a matriz.
Tudo isso porque o objetivo deste homem e de sua academia é o de formar não só bons atletas e lutadores, mas campeões da vida, cidadãos de bem que utilizem a verdadeira filosofia do Jiu-Jitsu (respeito, hierarquia, auto-controle, bondade e honra) para a construção e manutenção de uma sociedade mais pacífica e fraternal.
Nosso homenageado é ainda muito mais do que consegui, nesses minutos, tentar sintetizar para vocês. É sem dúvida, completamente digno do reconhecimento público que hoje estamos fazendo por meio da concessão deste título. Documento que torna de direito, uma condição que já existia de fato: Draculino é belo-horizontino.
Para concluir, faço minhas as palavras do poeta Bertolt Brecht, que melhor traduzem, na minha opinião, o espírito, o caráter e os ideais de Vinícius Bittencourt Almeida Magalhães, o Draculino.
"Há homens que lutam um dia, e são bons; Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda vida Estes são os imprescindíveis".
Obrigado a todos.
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